Terça-feira, Novembro 03, 2009

Anos luz

Um conjunto de galáxias, até aqui desconhecido, umas dez mil vezes mais denso que a Via Láctea. Estende-se por 60 milhões de anos luz.
Para a tua colecção.

Domingo, Novembro 01, 2009

António Sérgio

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Zoo

Não tenho medo dos elifantes, só dos tigues.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Para a Júlia, que hoje faz seis anos

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

So stürben wir um ungetrennt zu sein

So sturben wir
um ungetrennt zu sein
Dein Haus muB noch
mein Haus bleiben.
Ich muB dort aus und eingehn
muB dort bleiben,
zum Rechten sehen,
weil sonst niemand sieht
was Deine welken Augen
abends finden, nur mich
ich weiB es, darum muB
das Haus mein Haus
für immer sein, wo
ich auch bin, ich muB
den Abend richten,
und die Gedanken, auf-
helfen in den Schlaf.
Ingeborg Bachmann

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

rs rs

Já vai sendo tempo da mulherzinha coordenar melhor as pernas...

Domingo, Outubro 11, 2009

Árvore adentro

Cresceu em minha fronte uma árvore.
Cresceu para dentro.
Suas raízes são veias,
nervos suas ramas,
Sua confusa folhagem pensamentos.
Teus olhares a acendem
e seus frutos de sombras
são laranjas de sangue,
são granadas de luz.
Amanhece
na noite do corpo.
Ali dentro, em minha fronte,
a árvore fala.
Aproxima-te. Ouves?
Octavio Paz

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Da felicidade

Eu quia ser boboleta para subir alto e voaaaaar, voaaaaar...

Momento pirosodoméstico


Coisas que acontecem

Prometo ler todo o Manuel Pacheco, mal tenha tempo para o fazer. Por enquanto, estou muito preocupada com as chinchilas.

STOP

Esta manhã, fui mandada parar na mesma operação stop... duas vezes! O segundo agente a fazer sinal de paragem começou por estranhar o ar sorridente. Depois, a imediata apresentação de todos os documentos que ainda repousavam, em molhinho, ao alcance da mão fê-lo juntar um pouco as sobrancelhas. Quando soou a gargalhada do agente responsável pela primeira ordem de paragem, esclareci a situação ao intrigado elemento da autoridade. E bem-humorado, admita-se.

Eu, portuense, ando triste e com boas razões para isso*

Eu, portuense, ando triste e com boas razões para isso
Os meus amigos de Lisboa ficam surpreendidos por lhes sugerir a Pousada da Juventude quando me perguntam onde devem ficar quando vêm ao Porto. Ao contrário do que o nome indica (e a generalidade das pessoas pensa), as Pousadas de Juventude estão abertas a clientela de todas as idades. E a pousada do Porto está num local magnifico, com uma vista deslumbrante do Douro e a sua foz. Tenho formatada uma lista de recomendações para os meus amigos que visitam o Porto. Para a experiência francesinha, acompanhada por um príncipe e antecedida de um rissol de carne, aconselho o Capa Negra, no Campo Alegre. Na Baixa, além dos incontornáveis Majestic e Lello - que se não são o café e a livraria mais bonitos do mundo pelo menos andam por lá perto -, acho imprescindível um passeio a bordo do eléctrico 22, do Carmo até à Batalha, complementado pela descida de funicular até à Ribeira, onde só tem a ganhar se visitar o Palácio da Bolsa (o Salão Árabe é de cortar a respiração) a atravessar a pé o tabuleiro inferior da Ponte D. Luiz, não se esquecendo de olhar para montante e apreciar devidamente a elegância da Ponte D. Maria, uma jóia de Eiffel. As melhores vistas panorâmicas do Porto obtêm-se a partir de Gaia. As minhas preferidas são as das esplanadas do Bogani (Cais de Gaia) e do Arrábida Shopping. Já que está na margem esquerda, não perde nada se visitar umas caves de vinho do Porto. É um cliché turístico, mas vale a pena. Com partida da Ribeira (onde tem a opção de embarcar num cruzeiro pelas seis pontes), junto à igreja de S. Francisco (aquela que tem o interior revestido a ouro), o eléctrico 1 percorre a marginal fluvial. Depois, a partir do Jardim do Passeio Alegre, o melhor é mesmo seguir a pé, ao nível das praias, parar a meio numa esplanada, passar o Castelo do Queijo chegar à frente marítima do Parque da Cidade e olhar a fantástica Anémona que assinala a entrada em Matosinhos. Se os meus amigos vêm com tempo contado e não podem fazer o programa completo, eu não os deixo partir sem verem os três mais recentes tesouros que enriqueceram a cidade nos anos de viragem do século. Vir ao Porto e não visitar Serralves, ver a Casa da Música e ir de metro até ao Dragão é muito mais grave do que ir a Roma e não ver o papa. É por isso que eu, portuense, fico triste por ter um presidente da Câmara que nunca pôs os pés no Dragão, só foi uma vez a Serralves (e porque o Fernando Lanhas o foi buscar aos Paços do Concelho e o obrigou a visitar a exposição dele) e não frequenta a Casa da Música - apesar de morar ali ao lado, a menos de cinco minutos a pé. O Porto merece melhor.
Jorge Fiel - Jornalista
* citado uma vez sem exemplo :-)

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Descendência II

SMS:
No caminho para a escola - a pé porque sou uma rapariga saudável - visualizei again a carinha laroca do João Teixeira lopes, e voltei a afirmar que até é fofinho...

Descendência I

- Ó Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaae!
(mãe atravessa a casa a correr)
- Sim!
- És o melhor mundo da mãe...

Repugnante

Realmente, há criaturas muito inteligentes.

Amália

Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.

Domingo, Outubro 04, 2009

Post da Elisa

“Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.

- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? - pergunta Kublai Kan.

- A ponte não é sustida por esta ou aquela pedra - responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.

Kublai kan permanece silencioso, reflectindo. Depois acrescenta:
- Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.

Polo responde:
- Sem pedras não há o arco.”
As cidades invisíveis - Italo Calvino

A mortalidade infantil baixou em Moçambique. E ainda há tanto para fazer.

Sábado, Outubro 03, 2009

Momento sabedoria popular

Cabra manca não tem descanso!

Fade to Black

Aqui

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

O Apaixonado

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges, in "História da Noite"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Tango

Por vezes, há esperança na humanidade.

Domingo, Setembro 27, 2009

Há vida para além dos blogs?

Sim, um caso preocupante. Indicia coisa grave.
Por cá, é mais o 89. 180... da Novis, (passa a "loiça de Sacavém" em horário de expediente), mas em regime de intermitência. Nada que os comprimidos certos não resolvam.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Logo, no Gato

Joana Amaral Dias, a próxima a esmiuçar.
As invejosas que tenham paciência.

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

Saturno

Para ti.

Da felicidade

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante...

Sábado, Setembro 19, 2009

Casa das Histórias e Desenhos Paula Rego


Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Para Elisa

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Este poema de Eugénio de Andrade é o preferido da Elisa, uma rapariga que anda lá por África a mudar o mundo. Para melhor.

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Patrick Swayze

North and South

Pasión

No, no digas que yo me muero
Amor, mi vida es sufrimiento
Yo te quiero en mi camino
Por vos cambiaba mi destino

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos

Tengo un corazón ganando
Yo sé que vos me estas escuchando
Con mis lagrimas te quiero
Pasión, sos mi amor sincero

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos

Como não gosto de youtubes por aqui, ide lá ouvir a Lula Pena.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Ciência política

És o mais lindo de todos!

Eleições


Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos

Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos.
Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.
Os mortos não sabem, lá onde é que estão,
Que neles se enfeitam os meus braços tortos.

Os mortos dormiam... Passei-lhes ao lado.
Arranquei-lhes tudo, tudo quanto pude;
Páginas intactas — um livro fechado
Em cada ataúde.

Ai as pedras raras! As pedras preciosas!
Relâmpagos verdes por baixo do mar!
A sombra, o perfume dos cravos, das rosas
Que os dedos, já hirtos, teimavam guardar!

Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.
As suas ossadas Quem sabe onde estão?
Trago as mãos cruzadas,
Pesam-me no peito.
Quem sabe se a lama onde hoje me deito
Dará flor aos vivos que dizem que não?

Pedro Homem de Mello, in "Príncipe Perfeito"